Kanban é um termo em japonês que significa cartão ou quadro de sinais e ficou conhecido por ser uma metodologia de gestão visual, com cartões de informações que registram as ações da indústria.
O sistema Kanban pode ser aplicado por meio de cartões de papelão ou com estoques visuais, como as gôndolas de um supermercado. O importante é conter informações como: o código, o nome da peça, o fornecedor, local de armazenamento, consumo etc.
Neste artigo vamos ver melhor como funciona o Kanban e como aplicá-lo na prática. Confira:
História do método Kanban
O Kanban foi criado pelo Taiichi Ohno em 1953 e faz parte do sistema Toyota de produção, onde tem um papel fundamental no sistema de produção puxada e no conceito Just-in-time.
A história é curiosa: os japoneses foram aos Estados Unidos para conhecer as fábricas norte americanas e se inspiraram nos supermercados da forma como conhecemos hoje, em que os consumidores circulavam com o carrinho e tinham livre acesso aos estoques de produtos.
Na época, os mercados funcionavam como os almoxarifados, você entregava a lista e o funcionário do mercado (que parecia um almoxarife) ia pegar no estoque.
É até difícil imaginar hoje um mercado que funcione desta forma e imagino que no futuro vai ser difícil encontrar almoxarifados na forma como conhecemos hoje.
No Brasil o método começou a ser usado na década de 80 e também é conhecido como “Gestão Visual”, onde controla-se o estoque e o fluxo de peças utilizando cartões ou estoques intermediários visuais.
Quais são os tipos de kanban
Existem tipos diferentes de Kanban, os principais são:
- Kanban de produção
- Kanban de requisição
- Kanban de estoque
- Kanban de movimentação
Segundo o próprio autor do método, o Kanban de requisição informa o tipo e a quantidade dos produtos que o processo subsequente deverá retirar.
Enquanto o Kanban de produção informa a quantidade e o tipo do produto que o processo precedente precisará produzir.
Benefícios do Kanban
O Kanban ajuda a viabilizar a produção puxada, que reduz drasticamente os estoques intermediários entre processos.
Basicamente, se a máquina seguinte a minha tem a quantidade de estoque tida como máxima, a minha máquina não precisa produzir. Ou seja, a máquina fica parada até o estoque que ela produz para a etapa seguinte chegar em um nível mínimo.
Pode parecer um contra-senso, mas funciona muito bem e a tendência é que esses estoques mínimos e máximos definidos no Kanban sejam cada vez menores na medida em que o sistema ganhe maturidade na sua indústria. O sistema Kanban e a consequente redução de estoques, trazem muitos benefícios, dentre os quais posso destacar:
- Menos burocracia nos processos, uma vez que não há necessidade de documentos formais de controle; (veja mais sobre gestão de documentos)
- Redução de tempos de ciclos, o que favorece a velocidade na entrega de materiais e da produção;
- Visibilidade clara e objetiva dos problemas, uma vez que os estoques ajudam a esconder os problemas;
- Redução de desperdícios e custos, tanto na implantação como na fabricação, e também a redução de produtos no estoque;
- Aumento na motivação dos colaboradores, já que valoriza mais a função de cada um;
- Fácil de implantar na prática mesmo por fábricas sem tanta organização;
- O processo é controlado pela produção (isso melhora a qualidade do produto final, já que haverá mais eficiência e objetividade);
- Aumenta a autonomia do processo e da equipe, que conseguem trabalhar usando a gestão visual do Kanban;
- Promove o trabalho em equipe, uma vez que todos precisam trabalhar de acordo com o quadro de tarefas do Kanban.
Como funciona os tipos de Kanban
Conforme mencionei no início do artigo, existem três tipos de Kanban, que são o Kanban de produção, o Kanban de requisição e o Kanban de movimentação. Agora, vou detalhar cada um deles, confira a seguir.
Kanban de produção
O Kanban de produção normalmente é aplicado ao longo da linha de produção.
O objetivo deste tipo de Kanban é indicar a quantidade exata de peças e componentes (ou outro tipo de material utilizado na produção) necessários para cada linha de produção.
É uma maneira de agilizar e facilitar o processo como um todo, já que faz a solicitação de materiais para a linha de produção e autoriza a fabricação dos itens.
Kanban de requisição
O Kanban de requisição dita a quantidade que o próximo processo precisa requisitar do estoque produzido pela sua máquina para continuar a confecção dos produtos.
Kanban de movimentação
O Kanban de movimentação ou transporte, autoriza o deslocamento dos produtos entre cliente e fornecedor.
Normalmente ele substitui o cartão de produção e é fixado no produto e é retirado no próximo processo.
Bônus: Kanban de estoque visual
Eu gosto de explicar esse estoque visual com 2 exemplos práticos de entender.
Kanban no banheiro
1 – Lembro bem quando eu era criança e na casa da minha avó tinha um porta papel higiênico de crochê (que é o nosso Kanban) que ficava pendurado atrás da porta.
Sua capacidade era de estocar até 3 rolos de papel higiênico, que somados ao rolo que ficava em uso no porta papel higiênico principal poderiam totalizar no máximo 4 rolos no banheiro.
Qualquer adulto que entrasse no banheiro e olhasse (visual) que havia menos do que 3 rolos no Kanban, poderia facilmente providenciar a reposição de 1 ou 2 rolos.
Se o Kanban estivesse vazio, a situação poderia ser crítica, pois o rolo em uso poderia acabar exatamente no momento em que alguém precisasse dele.
Kanban no super mercado
2 – As gôndolas de supermercado que inspiraram os japoneses são um ótimo exemplo para explicar como funciona o estoque visual.
Quando você vai a um supermercado conhecido, em geral já sabe onde encontrar cada produto, certo?
Por outro lado, as gôndolas têm um limite de espaço físico para estocar cada item.
De tempos em tempos, um funcionário do mercado ou de algum fornecedor do mercado circula entre as gôndolas e avalia a necessidade de reposição (curiosamente o cargo dessa pessoa é repositor) – caso a gôndola esteja vazia, ele vai ao estoque e repõe.
A diferença de um supermercado para uma indústria, é que na indústria além da matéria prima que está no estoque ou no fornecedor, há processos de produção que são ativados pelo Kanban.
Quando usar o método Kanban?
Basicamente qualquer processo pode ser gerenciado com o Kanban.
Quanto mais complexos e maiores forem os passos desse processo/produto, mais vale a pena utilizar o Kanban.
Quando o processo é longo, normalmente possui muitas etapas, pessoas e materiais, por isso há muito espaço para melhoria.
De outro lado, se o processo for muito simples, provavelmente não vale a pena utilizar o Kanban, já que dará mais trabalho atualizar o painel do que simplesmente fazer a tarefa.
Exemplo de Kanban na prática
Imagine uma linha de produção de caixas, onde o operador deve alimentar a máquina com papelão para que a máquina então produza as caixas. A quantidade de papelão que alimenta a linha de produção será representada por cartões, confira:
Para o exemplo vamos imaginar que a indústria precise produzir 100 caixas e para isso precisamos alimentar a máquina com 100 chapas de papelão por hora.
Se por acaso as chapas de papelão não forem repostas no tempo certo, a produção será afetada.
Na primeira etapa o operador recebe o estoque esperado de 100 chapas de papelão para produzir 100 caixas completas. Ele então preenche todos os 100 cartões seguindo a ordem do verde para o vermelho.
Logo quando começar a produção o operador alimenta um bloco na máquina e então retira um cartão verde do quadro geral.
Ele continua trabalhando e cada vez que alimenta a máquina retira um cartão correspondente.
Quando o nível de resposta é atingido (Kanban amarelo) o sistema precisa entrar em alerta, já que está trabalhando no exato tempo de resposta. Ou seja, é o tempo requerido para repor o estoque de chapas do operador.
O último nível, ou seja, os cartões vermelhos, representam o nível de segurança. Nesse ponto a máquina irá parar de produzir caso não sejam repostos.
Claro que isso pode ser um pouco trabalhoso se feito manualmente com cartões impressos. Por isso o ideal é aplicar a ferramenta utilizando um software automatizado.
Como implantar o Kanban
Para implantar o sistema Kanban em uma fábrica o ideal é seguir alguns passos básicos:
1. Mapear os processos
O primeiro passo para aplicar o sistema é mapear os processos onde ele será usado na sua produção.
Ou seja, é preciso identificar as tarefas do processo e qual a melhor forma de posicionar as colunas do seu Kanban.
Dependendo do tipo de kanban que a sua empresa irá implantar, esses passos podem variar bastante.
2. Priorizar e padronizar etapas
Nessa etapa é preciso definir quais serão os padrões de cores, nomes e prioridade dos itens que entrarão no Kanban.
Aqui ficará definido como identificar itens com mais prioridade, quem é o responsável por cada tarefa etc.
3. Treinar os colaboradores
Com o método definido, é preciso apresentar o kanban e treinar os colaboradores que usarão a ferramenta.
Essa etapa é importante para eliminar dúvidas e objeções que podem atrapalhar a implantação do sistema.
Certifique-se que estão todos alinhados e de acordo com a utilização do Kanban.
4. Melhoria contínua
Para fechar, observe a aplicação do kanban nos seus processos e aplique o conceito da melhoria contínua para manter o processo sempre otimizado.
O começo da aplicação é justamente o período que provavelmente haverá mais oportunidades de melhoria, por isso preste atenção em como a ferramenta está sendo usada e corrija eventuais problemas o quanto antes.